Instrumento de desenvolvimento econômico

O cooperativismo, por definição, reúne valores e práticas que o vinculam a uma existência sustentável. Como movimento sócio-econômico que visa ao bem-estar social, cultiva, em essência, a democracia, a solidariedade, a independência e a autonomia. Trata-se, por assim dizer, de uma verdadeira filosofia de vida.

As pessoas são a referência no cooperativismo, que tem no capital apenas o respaldo operacional. As individualidades cedem espaço para a construção conjunta da prosperidade, independente de origem, cor ou credo de qualquer ordem. Os ganhos, obtidos com equilíbrio e isonomia pelo trabalho coletivo, são de todos. Tais vantagens, todavia, considerando a dupla condição de associado (dono) e usuário, não se confundem com lucro, resultado próprio de empreendimentos cujo capital prepondera e está a serviço de poucas pessoas. As pessoas cooperam para satisfazer necessidades econômicas recíprocas, em diferentes campos, a preço justo e à luz de outros diferentes preceitos éticos.

Por sua inserção comunitária, de onde emergem, as cooperativas estão naturalmente vocacionadas para fazer o bem nos locais em que estabelecidas. Há uma preocupação de gerar progresso conforme a aptidão das populações e de acordo com o potencial econômico da região cooperativada. Pelo fato de os membros, associados, viverem ali mesmo, todas as ações de desenvolvimento buscam harmonia com o meio-ambiente. É o que se designa de imperativo ambiental, ou ecoeficiência, preocupação ligada à sustentabilidade a longo prazo.

Pelas mesmas razões, as cooperativas lideram inúmeras iniciativas de caráter sócio-cultural. Aliás, é difícil imaginar que um evento cultural, um encontro esportivo, uma mobilização para arrecadar fundos com propósitos humanitários não tenham envolvimento dos associados, dirigentes e colaboradores das cooperativas. O apoio jamais se limita à simples entrega de fundos financeiros. Na maioria das vezes, a própria organização é confiada aos representantes das cooperativas.

A qualidade de vida, portanto, é um pressuposto sempre em evidência na ação cooperativa.

E esse jeito diferente de responder aos anseios das pessoas e das comunidades tem influenciado as empresas tradicionais, que ensaiam mudanças na sua forma de atuar. Cada vez mais tentam aproximar seus métodos aos utilizados pelas cooperativas. Na área financeira, por exemplo, os bancos vêm divulgando intenções de se relacionar mais condignamente com os seus clientes, ao mesmo tempo em que ensaiam patamares de preços mais acessíveis na entrega de suas soluções. É o cooperativismo balizando o mercado.

A manifestação cooperativa pode assumir diferentes formas operacionais. A mutualidade, com efeito, envolve desde atividades de produção e comercialização até o oferecimento de itens para consumo e prestação de serviços nas mais diversas áreas profissionais, inclusive no setor financeiro, onde se inserem as Cooperativas de Crédito. Entre nós, já são 13 os ramos cooperativos reconhecidos.

Esse mundo, justo e equilibrado, o universo cooperativista, já conta com mais de 1 bilhão de praticantes nos quatro cantos da terra.

O COOPERATIVISMO COMO GERADOR DE RENDA E SEU IMPACTO SOCIAL

As Cooperativas, por suas características de valorização da individualidade do associado e da cultura local, exercem um importante papel econômico e social em suas comunidades e respectivas regiões como geradoras de muitas oportunidades de trabalho e renda, como importantes instancias de viabilização especificamente dos micro e médios empreendimentos agropecuários, industriais e de serviços.

Convém considerar que o cooperativismo é um dos melhores mecanismos de distribuição regional da renda, já que qualquer melhoria de renda e ganho para os associados, representa geralmente uma imediata aplicação dos ganhos em investimentos e melhorias no patrimônio dos associados, nas localidades onde eles tem suas raízes e a maior parte de suas vivências e aspirações.

Ora, estas funções apresentadas, chocam-se frontalmente com os valores e as atitudes do modelo de desenvolvimento hoje hegemônico, que é o modelo neoliberal capitalista altamente competitivo, beirando a situações de efetivos conflitos sociais, que geram de um lado crescente criação de privilégios para poucos, com progressiva concentração de riquezas, de propriedade e de domínio do saber, em detrimento das grandes maiorias, cada vez mais marginalizadas e excluídas.

Além das cooperativas praticarem preços mais justos, tanto na compra como na venda dos produtos de seus e para seus associados, existe também o diferencial das cooperativas na distribuição das sobras ao final do exercício. Em qualquer das situações, sejam elas os negócios no dia-a-dia ou na distribuição dos excedentes, as cooperativas praticam a distribuição regional da renda. Esta renda é potencializada pelo efeito multiplicador da moeda, visto que, tais recursos ao circularem no município ou região em que foram gerados, propiciarão novos negócios, novos empregos e mais renda para as próprias comunidades.

Se tais recursos tivessem sido operados por empresas privadas provavelmente os preços dos produtos, tanto os pagos como os cobrados, seriam diferenciados, diminuindo o poder de compra dos consumidores ou fornecedores. Da mesma forma, os lucros obtidos pelas empresas privadas tenderiam a ser transferidos para outras regiões do estado ou do país, e mesmo que permanecesse no mesmo município em que foram gerados ficariam concentrados na mão de poucos, os donos de tais empresas.

INCLUSÃO SOCIAL

Por inclusão social entendia-se inicialmente o combate à exclusão social, geralmente ligada a pessoas de classe social, nível educacional, portadoras de deficiência física, jovens marginalizados, egressos prisionais, idosas ou minorias sociais entre outras que não tem acesso a várias oportunidades.

Inclusão Social é oferecer aos associados oportunidades de participarem da distribuição de oportunidades de trabalho e de renda do País, dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade.

O modelo econômico vigente no mundo se alimenta da exclusão de grande parcela da população em relação aos meios de produção.

É sabido que as cooperativas surgiram e continuam surgindo em tempos de crise. As cooperativas permitem obter a realização econômica para seus associados, distribuem renda, geram benefícios sociais e no plano político, permitem ao associado espaços de participação e a assunção do protagonismo no processo decisório da atividade econômica e organizacional. Há quem entenda que o cooperativismo pode ser considerado uma terceira via, entre o capitalismo e o socialismo que pode levar a inclusão social, pois ao gerar empregos para a sociedade, as pessoas estão sendo incluídos no processo produtivo.

Texto extraído do Jornal Cooperativista do Sicoob Amazônia (Edição 71) e de autoria de José Odelso Schneider

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