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Cooperativismo de Crédito na Alemanha

A Alemanha é o 5º país do mundo em expressão do cooperativismo financeiro, e as cooperativas são “full banks”, o que significa que têm todos os direitos e as obrigações de qualquer banco (operações permitidas, supervisão, etc.).

CoopCred_Alemanha_2013

Contando com mais de 30 milhões de clientes, dos quais 17,7 milhões são sócios dos bancos cooperativos, em um país com uma população de 82 milhões de pessoas, tem-se mais de 35% da população operando com um banco cooperativo, fato que faz com que a participação nos depósitos totais do país esteja próxima de 20%. Já a participação no crédito rural é de 50% e de 35% nos créditos para pequenas e médias empresas.

A entidade máxima de representação nacional do cooperativismo é a DGRV – Deutscher Genossenschafts und Raiffeisenverband e.V. (Confederação Alemã de Cooperativas), equivalente à OCB no Brasil. Em sua estrutura existem quatro federações nacionais especializadas na representação dos ramos de cooperativas, entre elas a BVR (Bundesverband der Deutschen Volksbanken und Raiffeisenbanken – Associação Federal de Bancos Populares e Bancos Raiffeisen), com sede em Berlim, à qual estão ligados os bancos cooperativos alemães.

logo_modelo_AlemãoA base forte do cooperativismo financeiro no país é constituída por uma rede de 1.078 bancos cooperativos locais, que inclui os Bancos Populares (Volksbank) e os Bancos Raiffeisen (Raiffeisenbank), que atuam no modelo de livre admissão de associados, e os Sparda-Bank e PSDBank, que atuam em nichos específicos. O grupo engloba também cerca de 150 cooperativas Raiffeisen com transações comerciais (cooperativas mistas) que desenvolvem operações bancárias e comerciais em um mesmo local.

Na estrutura existe também o WZG Bank – Westdeutsche Genossenschaftszentralbank (Banco Cooperativo Central do Oeste) e escritórios regionais do DZ Bank AG, dedicados, entre outros, à gestão da liquidez, ao refinanciamento, a atividades de comércio internacional e também atuam no apoio a grandes negócios não suportados pelos bancos cooperativos filiados.

Os bancos cooperativos locais e o WGZ Bank são os principais acionistas do Banco Cooperativo Central, o DZ Bank AG (Deutsche Zentral-Genossenschaftsbank). O sistema inclui uma série de instituições que oferecem serviços financeiros especiais e especializados. A maioria dessas empresas integradas é de propriedade comum do WGZ Bank e do DZ Bank AG. O “sistema financeiro cooperativo” alemão contempla, ainda, os bancos cooperativos hipotecários, a cooperativa de habitação Bausparkasse Schwãbisch-Hall (a maior cooperativa de financiamento de habitação da Europa), a companhia de seguros R+V Versicherung e a companhia de asset management Union Investment. O DZ Bank é o 55º maior banco do mundo, administrando ativos de US$ 534 bilhões.

logo_BVR_AlemanhaTodas as empresas do sistema financeiro cooperativo estão filiadas às Federações Regionais de Auditoria Cooperativa e à Associação Federal de Bancos Populares e Bancos Raiffeisen (BVR – Bundesverband der Deutschen Volksbanken um Raiffeisenbanken e.V.) com sua federação nacional.

A BVR tem como incumbências fundamentais a gestão e o aporte de recursos do fundo de proteção e a administração da marca única dos bancos cooperativos alemães, marca essa resultante da fusão dos logotipos dos bancos populares ou urbanos, conhecidos como Volksbank, e dos bancos rurais Raiffeisenbank. O fundo de proteção assemelha-se, em parte, a um fundo garantidor, mas possui uma característica distinta importante: na Alemanha – onde os bancos cooperativos, assim como no Brasil, não integram o fundo garantidor dos bancos em geral – os recursos são utilizados basicamente para ações preventivas, objetivando a recuperação econômico-financeira dos bancos cooperativos em dificuldade, ou para a sua reorganização com vistas a processos de incorporação.

Uma característica interessante do modelo alemão é que existem no país cinco federações regionais (e mais cinco federações especializadas) de auditoria que são responsáveis por auditar todos os ramos do cooperativismo, entre eles o financeiro. O vínculo dos bancos cooperativos com essas federações é obrigatório há mais de 80 anos.

Embora existam duas grandes centrais de processamento de dados (GAD e Fiducia), responsáveis também pelo desenvolvimento de softwares, a rede de atendimento dos bancos cooperativos está totalmente interligada, contando com uma rede de 19.000 ATMs (autoatendimento).

Os ativos totais de um banco cooperativo alemão alcançam em média US$ 970 milhões. Essa cifra aumentou muito nos últimos anos devido às incorporações realizadas no setor e também pelo incremento das transações. Em 2013, 40% das cooperativas administravam ativos inferiores a US$ 350 milhões, outras 43% estavam entre US$ 350 milhões e US$ 1,3 bilhão e apenas 187 cooperativas (17%) administravam ativos superiores.

O maior banco regional cooperativo da Alemanha é o Deutsche Apotheker- und Ärztebank eG, com sede em Düsseldorf, com ativos de US$ 47 bilhões e empréstimos de US$ 37 bilhões. O 2º maior, o Sparda-Bank Baden-Württemberg eG, de Stuttgart, administra menos de 1/3 desse valor.

Veja os dados financeiros do DZ Bank

Veja os dados financeiros do WGZ Bank

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