Cooperativas de crédito dão lições ao mercado, por Carlos Peres

Nunca se falou tanto em bancos e empresas financeiras. O termo desbancarização, por exemplo, está no noticiário quase diariamente. Muito por conta da popularização das fintechs, da impopularidade das instituições bancárias tradicionais, setor cada vez mais vulnerável à medida em que as operações se tornam dependentes de recursos tecnológicos e que os crimes cibernéticos, infelizmente, já não são mais exceção. Neste cenário, um segmento desponta apresentando números impressionantes de crescimento: o cooperativismo financeiro.

Ao longo da nossa trajetória de anos com auditoria e consultoria de gestão com instituições do segmento, observamos crescimentos de até 30% em ativos anualmente. Entre os motivos para esse fortalecimento estão um modelo de negócios inovador, investimentos em governança corporativa e compliance, que ajudam a estruturar conselhos e elaborar plano estratégico. Segundo análise da PwC sobre dados do Banco Central e do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito – FGCoop, esses índices se comprovam em outras empresas do setor.

O foco no pequeno e médio empresário, que não tem acesso a vários dos serviços ofertados pelos grandes bancos, é um dos destaques. A pesquisa da PwC “Financial Services Retail Banking 2020: Evolution or Revolution?”, realizada com 560 executivos do mundo todo, evidencia, nas palavras dos próprios entrevistados, que a simplificação dos serviços vai entregar uma infinidade de benefícios. Ou seja, as cooperativas de crédito são, por natureza, inovadoras.

As entidades se mostram como uma solução para empresários que buscam baixo risco financeiro, taxas menores do que as praticadas no mercado, retenção de riquezas e lucro revertido para as localidades e as famílias que nelas moram e investem. Não é por acaso que as cooperativas têm seu principal foco de atuação no interior do país, andando de braços dados com o agronegócio. Em um país com dimensões continentais, as grandes e complexas estruturas dos principais bancos dificultam a proximidade com o cliente final. Esse fator é mais um que contribui para o sucesso das cooperativas.

Além das vantagens indubitáveis de se trabalhar com taxas mais vantajosas, o segmento sempre aplicou o que estamos começando a chamar de capitalismo consciente. Gerar riqueza para a sociedade, mas sem perder o lado humano, de respeito às pessoas e ao meio ambiente. Apesar de uma solução já tradicional, as cooperativas deste segmento parecem estar à frente do tempo e mostram como é possível crescer de forma descomplicada e aproveitando oportunidades regionais, mesmo em um ambiente tão competitivo.

Carlos Peres é sócio da PwC Brasil.

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