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O exercício da cidadania pela inclusão financeira, por Márcio Lopes de Freitas

Marcio Lopes de FreitasUma forma diferenciada de operar no mercado financeiro. O que se propõe não é o lucro, mas a inclusão de milhões de pessoas no mundo todo, independente da sua origem, atividade econômica ou classe social. Assim, trabalham hoje 57 mil cooperativas de crédito, em 103 países. Não estamos falando de instituições financeiras convencionais, mas de empresas que, além de oferecer produtos e serviços do mercado, trazem aos seus cooperados uma proposta diferente – de serem não somente clientes, mas donos do seu próprio banco. E o mundo realmente tem ansiado por um novo modelo, diferente daquele que nos apresenta o chamado “capitalismo selvagem”. Tanto é assim que hoje são mais de 200 milhões de associados.

No Brasil, essa ideia já mobilizou mais de 7 milhões de cidadãos, e esse número só tende a crescer. Pelas 1.154 cooperativas de crédito do país, eles encontraram caminhos para conquistar sua independência financeira e realizar sonhos. Isto porque as cooperativas estão atentas, é claro, aos movimentos de mercado, mas principalmente à realidade e às necessidades dos seus associados. Trata-se de um atendimento, de fato, personalizado e direcionado à satisfação, à felicidade das pessoas.

Dessa maneira, o cooperativismo de crédito brasileiro tem se posicionado como um importante agente de inclusão financeira, a partir da democratização do crédito, chegando, inclusive, em localidades mais isoladas, onde outras entidades não direcionam investimentos para atuar. Em 564 municípios do país, por exemplo, elas são a única instituição financeira local e conseguem oferecer esse crédito a taxas menores do que as usualmente praticadas, orientando os seus associados em um processo de educação financeira para o melhor uso dos recursos.

Com todos esses diferenciais, as cooperativas de crédito geram, ainda, uma competição saudável no mercado financeiro. Assim, elas cumprem um duplo papel – promovem o desenvolvimento econômico, com a redução das desigualdades sociais, e asseguram o exercício da cidadania pela inclusão financeira. Sua eficiência no dia a dia, no atendimento aos seus associados, é resultado de um olhar constante para o profissionalismo da gestão e a modernização dos mecanismos de governança. Mas isso, sem perder a fidelidade aos valores e princípios cooperativistas, afinal, mesmo voltadas ao mercado financeiro, as cooperativas são – antes de tudo –, organizações formadas por pessoas.

Atualmente, o cooperativismo de crédito brasileiro responde por 2,5% do Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas, vale ressaltar que, em algumas praças, essa participação já chega aos 10%. E a perspectiva é de um crescimento constante, principalmente no total de associados, conforme comportamento registrado nos últimos seis anos, refletido em indicadores divulgados oficialmente pelo Banco Central do Brasil (BCB). A intenção é, respeitando as particularidades e demandas da população brasileira, alcançar um patamar de desenvolvimento semelhante ao de outros países que são referência no segmento, como Alemanha e Canadá. Diferenças existem, é claro, mas a essência é a mesma e, justamente por isso, estamos unidos, neste mês de outubro, para comemorar as conquistas do setor, celebrando o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito.

*Márcio Lopes de Freitas – presidente do Sistema OCB

 

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