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Cooperativismo financeiro: um rápido balanço de 2013 e desafios em 2014, por Ênio Meinen

M ostremos
​​​​   A TITUDE.
​​​​​      N eguemos a tentação de desistir.
​​​​​​         D esafiemo-nos.
​​​​​​           E
​​​​​​​​              L utemos
​​​​​​​​​                A té a VITÓRIA!

Ao lado do crescimento substantivo em seus principais indicadores (associados, pontos de atendimento, volume de negócios etc) – a estimativa é para uma expansão média entre 20 e 25%, conservando o desempenho ascendente já de toda uma década e possivelmente emplacando novo avanço na participação de mercado -, o cooperativismo financeiro brasileiro tem pelo menos um segundo – e principal – motivo para saudar o ano que se encerra, fator esse relacionado com a sua sustentabilidade no longo prazo.

Com efeito, 2013 figurará com especial destaque na cronologia de marcos relevantes do setor por conta da criação do fundo garantidor único das instituições financeiras cooperativas (FGCoop). Considerando os seus desdobramentos, que em muito ultrapassam o simples – embora não irrelevante – objetivo de garantir depósitos do quadro social em casos de insucesso de entidades vinculadas, pode-se dizer que esse passo concreto de intercooperação (societária) identifica um novo recomeço na história recente movimento entre nós.

Estreme de dúvida, a iniciativa conduzirá à aproximação dos diferentes subsistemas cooperativos e o grupo de cooperativas independentes, atualmente isolados estratégica e operacionalmente, porquanto seus representantes estarão frequentemente reunidos em um mesmo fórum para discutir múltiplos aspectos de interesse comum, com foco na solidez do conjunto dos empreendimentos. Em outras palavras, a solidariedade fará aumentar o interesse pelo diálogo, e nesse ambiente haverão de se descortinar e tomar forma inúmeras oportunidades de fortalecimento intersistêmico, entre elas a atuação conjunta em projetos negociais ou de apoio ao negócio.

Em síntese, a (efetiva) integração do movimento, que teve seus ideais e a primeira ação concreta lançados no início dos anos 80 em solo gaúcho, com a criação da então COCECRER-RS, receberá um decisivo impulso com a instituição do FGCoop. Logo, logo, como se deseja em uníssono, tendo à frente apenas os interesses dos associados, estar-se-ão discutindo medidas que reduzam as fragilidades e a baixa competitividade decorrentes da, hoje, incipiente cooperação intersistêmica. O futuro, todos sabemos, está na unidade, como propugna a doutrina e evidenciam as melhoras práticas, e não no isolacionismo e na “interconcorrência”!

E quanto a 2014!?

No plano institucional, como já se vem anunciando (vide Informativo OCB 2675, edição de 05-12-13 (link): “Sistema de Supervisão das Instituições Financeiras Cooperativas sairá do papel”), a racionalização do atual modelo de supervisão voltado para as cooperativas, âmbito no qual estuda-se a concentração do conjunto das atividades em uma única entidade de atuação intersistêmica (“entidade de auditoria cooperativa”), e a integração da rede de autoatendimento do setor prometem ser os itens principais da agenda do movimento para o próximo ano.

Concidentemente, os dois pontos contribuem para densificar a convergência entre os subsitemas, há pouco defendida/exaltada, resultando em aumento de eficiência e trazendo maior comodidade aos associados.

A par desses propósitos de interesse geral, renovam-se também os desafios usuais relacionados com a disputa de mercado e a necessidade de continuada expansão. Neste particular, duas frentes sugerem especial atenção: de um lado, já contando com um generoso, eclético e competitivo portfólio de soluções negociais, as cooperativas terão de ser cada vez mais arrojadas (proativas) no oferecimento de produtos e serviços complementares à intermediação financeira, diversificando e desconcentrando a matriz de receitas e de resultado (vide, a propósito, o artigo “Cooperativa de crédito ou instituição financeira cooperativa!?”, publicado neste Portal em 03-3-13. link). De outro, considerando a ainda baixa escala de usuários-associados e o grande potencial de expansão oferecido pela universalidade de acesso, há que se buscar o incremento de cooperados-beneficiários.

No primeiro caso, sabe-se que a grande maioria dos associados relaciona-se com uma segunda ou terceira instituições financeiras, não cooperativas, tomando da concorrência vários serviços que poderiam ser prestados pela sua própria entidade. Essa “infidelidade” ou esse indesejável patrocínio ao rival, em boa medida, poderão ser atenuados pela simples atitude de procurar o associado e ele explicar as vantagens pelas quais deve buscar equivalente solução em “casa”. A maior aproximação com o cooperado também permitirá saber quais são as suas demandas ainda não atendidas pelo mercado. Em outros termos, se não formos ao encontro do associado, ele estará cada vez mais distante da cooperativa. Já se o procurarmos, aumentam consideravelmente as possibilidades de ampliarmos o “IPP” (ou IFA) e, por decorrência, nossas entidades fazerem jus à designação de “principal instituição financeira” de seu dono!

Quanto à expansão da base de associados, há que se ressaltar a abundante oportunidade voltada para o público empreendedor, mais especificamente o pequeno negócio, ainda com inexpressiva representatividade entre os beneficiários das soluções cooperativistas. Além de outros pontos de convergência, as micro e pequenas empresas e o empreendedor individual têm em comum com as cooperativas a filosofia de proximidade (ambas são organizações locais), o compromisso permanente com a comunidade (na bonança e na crise) e o viés associativista (na medida em que as MPEs operam sob a coordenação de entidades de classe geridas pelos próprios membros). Ademais, muitas pessoas físicas, proprietárias de empresas, já compõem o quadro social das cooperativas (enquanto que, na PJ, relacionam-se com os bancos convencionais).

É claro que esses progressos, tanto na esfera institucional como no plano dos negócios propriamente ditos, estão imediatamente associados ao desprendimento, ao engajamento, ao entusiasmo de todos os protagonistas – líderes e liderados – do movimento. E tais virtudes, traduzidas em atitudes, não haverão de faltar em 2014, ano em que o cooperativismo financeiro continuará a “fazer história”!
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Ênio Meinen é advogado, pós-graduado em direito e em gestão estratégica de pessoas e autor/coautor de vários livros sobre cooperativismo de crédito – área na qual atua há 30 anos -, entre eles “O cooperativismo de crédito ontem, hoje e amanhã”. Atualmente, é diretor de operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob).

4 Comentários em Cooperativismo financeiro: um rápido balanço de 2013 e desafios em 2014, por Ênio Meinen

  1. Parabéns Enio Meinem,

    Acredito que quando as Cooperativas de Menor porte ter em sua composição Administradores Democraticamente Eleitos, e não impostos pelos Patrocinadores, o Gigante vai Despertar realmente, veja que nos temos uma concentração em um pequeno grupo de Cooperativas. É claro que a conscientização dos Cooperados é fundamental para este fortalecimento, cobro das entidades constituídas uma postura mais próxima da Cooperativa, avaliando o desempenho, o trabalho de conscientização, o que está sendo realizado em relação às informações Econômicas Financeiras e Administrativas aos Cooperados. Em suas Assembleias realmente se presta contas? Se comunica o que se Planejou e o que se Alcançou? E para o Ano seguinte quais são os Planos? Quero cobrar transparência nas Cooperativas, especialmente de Empregados, que recebem subsídios dos “Patrocinadores”, que determinam os nomes a comporem a Direção. Digo isto pois aonde ocorre impede o Crescimento da Cooperativa e Cerceia o Direito de Manifestação dos Cooperados.

  2. Parabéns Enio pelas tuas considerações, mas não podemos esquecer que para nossas Cooperativas serem perenes e sustentáveis, não basta , termos sobras e umento de patrimônio a curo prazo , precismos todos juntos associados e colaboradores evoluir diàriamente ,com atitudes corretas,no cumprimento de nossa Missão ,respitando nossos princípios e valores.

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