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Sinais de acomodação na economia

Por José Paulo Kupfer

Já é possível recolher, aqui e ali, em reportagens e análises veiculadas na mídia, as primeiras projeções das consultorias financeiras para o crescimento da economia brasileira, no segundo trimestre do ano.

Aos poucos e sem muito barulho, essas projeções indicam uma acomodação no ritmo de expansão da atividade econômica. Observa-se uma certa convergência no movimento de ajuste das bússolas dos consultores. Eles estimam que, em relação ao primeiro trimestre, o crescimento, entre abril e junho, rodou em torno de pouco menos de 1%. Há quem, entre os que mais se preocuparam com o superaquecimento do primeiro trimestre, esteja agora prevendo um avanço de anêmicos 0,5%, mas este é um pouco fora da curva das previsões. O consenso é que, em termos anualizados, no segundo trimestre, a economia rodou a 4%.

Para um trem que avançava a 11% anualizados, como ocorreu nos três primeiros meses de 2010, a freada de arrumação é até forte. A ideia da acomodação no ritmo de crescimento econômico é coerente com diversos indicadores do período, já divulgados. O IPCA zerado de junho, anunciado nesta quarta-feira, chamou a atenção, mas outros indicativos de algum tipo de freada já estavam disponíveis. A lista foi engrossada, nesta quinta-feira, com informações sobre a evolução do emprego industrial, de maio para abril, e o nível de utilização da capacidade instalada, no mesmo período. O emprego na indústria avançou modestos 0,3% e a capacidade ocupada, pela primeira vez em meses, ficou estável.

Comparações com o ano de 2009, sobretudo até maio ou junho, complicam quem quer entender o que vem pela frente. Como estamos falando do período em que a economia brasileira, depois da crise iniciada em fins do terceiro trimestre de 2008, chegou ao fundo do poço. Por isso, qualquer indicador, nos primeiros seis meses de 2010 vai, na comparação com o mesmo período do ano passado, mostrar avanços significativos. Mesmo que tenha estagnado, em relação ao mês anterior.

Neste momento, os organismo econômicos multilaterais – FMI, Banco Mundial, OCDE – estão revisando suas projeções de crescimento para os diversos países com base no desempenho das economias no primeiro trimestre. Nesta quinta-feira, por exemplo, o FMI soltou novas projeções e “elevou” a do Brasil para 7,1% no ano. Segue, com a conhecida defasagem, o que o Banco Central anunciou, na quarta-feira da semana passada, no “Relatório de Inflação”, sua publicação trimestral sobre o estado da economia.

Daqui para a frente, diferentemente, as comparações com 2009 serão menos favoráveis a 2010. Simplesmente porque a base de comparação já um período de recuperação, com o detalhe que, no último trimestre de 2009, a retomada ganhou força. Errará menos, muito provavelmente, quem apostar em números e porcentuais mais moderados nesta segunda metade do ano. Ainda é cedo para conclusões definitivas, mas há um cheiro de que, mais uma vez, com base em projelções do passado, o mercado e o BC pesaram na mão. Já tem gente boa começando a achar que o ciclo de altas da taxa da Selic, previsto para operar até o fim do ano, pode ser interrompido bem antes.

Resumindo, a certeza do superaquecimento e do descontrole inflacionário dá pinta de que está subindo no telhado.

Fonte; Estadao

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